No Setembro Amarelo, obstetra alerta para a importância do combate à depressão pós-parto


Médica explica comportamentos psicológicos das gestantes que devem ser tratados A obstetra Flávia do Vale, do Hospital Icaraí

No "Setembro Amarelo”, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, a médica Flávia do Vale, coordenadora da Obstetrícia do Hospital Icaraí, alerta que o trabalho do obstetra é fundamental nos casos de prevenção do suicídio e deve começar no pré-natal. - Há pacientes que já possuem fatores de risco passíveis de serem identificados no pré-natal. Assim, a pessoa já tendo um histórico de problemas anterior, como depressão, uso de antidepressivos ou gestação não desejada, já possui um risco maior de desenvolver a depressão pós-parto também - destaca a médica. Segundo a especialista, outro papel fundamental da atuação do obstetra vem logo após o parto. De acordo com ela, é muito comum no as pacientes apresentarem uma tristeza nessa fase. - É algo normal, mas diferente de uma depressão. Acredito que falta aos obstetras passar esse ponto de vista para as pacientes. É natural a paciente se sentir insegura em relação à amamentação, à novidade de receber o bebê. Isso se associa a uma falta de sono, pois o bebê dá trabalho nos primeiros dias - salienta. Objetivo da campanha A campanha “Setembro amarelo” foi criada, no Brasil, pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), com a proposta de associar a cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, 10 de setembro. A ideia é pintar e estampar o amarelo nas mais diversas ações e garantir visibilidade à causa. O Hospital Icaraí adere à mobilização em seus diversos serviços, principalmente os ligados à maternidade. A doutora explica, ainda, sobre o processo de alteração hormonal pelo qual a mulher passa durante a gestação, contribuindo diretamente para a tristeza comum do pós-parto, o chamado baby blues. - Nos primeiros dias após a chegada do bebê, é comum a mulher chorar, ficar nervosa, ansiosa, se questionar se vai dar conta. Se faz extremamente importante falarmos isso quando a paciente recebe alta e é encaminhada para sua residência. É necessário esclarecer esse aspecto para que ela não se sinta menos mãe por isso e saiba diferenciar essa situação de uma depressão pós-parto. Isso é o baby blues acontecendo, geralmente na primeira semana pós-parto, com curta duração. Suicídio no Brasil No Brasil, a média de suicídio a cada dia é de 32 casos, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Casos entre adolescentes têm aumentado a cada ano, e se estende às mães. Entre 2011 e 2018, houve um crescimento de 10% nas taxas entre jovens de 15 a 29 anos no País, segundo o perfil epidemiológico divulgado em setembro de 2019 pelo Ministério da Saúde. No Ceará, por exemplo, entre janeiro e julho de 2020, foram contabilizados 306 casos na plataforma Integra SUS, da Secretaria da Saúde (Sesa). A média corresponde a 43 suicídios por mês, uma das maiores do país. A doutora Flávia acredita que o médico assistente cria intimidade com a paciente durante o pré natal e isso ajuda a identificar um quadro de depressão que pode inclusive provocar pensamentos suicidas. A médica explica que o Hospital Icaraí possui um protocolo de suicídio. O processo ocorre da seguinte maneira: a paciente que tem algum fator de risco para depressão ou que apresenta comportamento suspeito de depressão, responde a um questionário para tentar identificar melhor. Após o questionário ela passa por uma avaliação médica que avalia o questionário e outros quesitos de depressão pós-parto que ofereça risco à sua própria vida ou ao bebê. Então o apoio psiquiátrico é acionado com celeridade.

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