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Existe uma relação direta entre o que a mãe ingere na gestação e o peso do bebê?

Sim, existem estudos e revisões mostrando associação entre o que a mãe consome (e, principalmente, quanto peso ela ganha na gestação) e o peso ao nascer / risco de PIG (pequeno para idade gestacional) ou GIG/macrossomia. Mas é importante ajustar a ideia central:



1) “Mãe que come muito tem bebê gordo?”



Nem sempre. O feto não “engorda” de forma proporcional ao prato da mãe. O crescimento fetal depende sobretudo de:


  • Função placentária (principal determinante)

  • Metabolismo materno (glicemia/insulina, especialmente em DMG)

  • IMC pré-gestacional e ganho de peso gestacional (GWG)


    Em média, ganho de peso acima do recomendado e hiperglicemia/DMG aumentam risco de GIG/macrossomia, mais do que “comer muito” isoladamente. Intervenções de dieta e/ou exercício reduzem ganho de peso excessivo e podem reduzir risco de bebê >4 kg (principalmente em mulheres com sobrepeso/obesidade).




2) “Mãe que come pouco tem bebê magro?”



Pode aumentar o risco, mas também não é automático. Ganho de peso abaixo do recomendado e ingestão insuficiente (energia/proteína) se associam a maior risco de PIG/baixo peso, mas muitos casos de PIG/FGR (restrição de crescimento fetal) acontecem por insuficiência placentária, hipertensão, tabagismo, infecções, alterações fetais, etc., independentemente do apetite materno.

Quando existe déficit nutricional real, suplementação balanceada de energia+proteína pode melhorar desfechos (reduzir PIG/baixo peso), sobretudo em populações subnutridas.



3) “Se eu fizer dieta e comer mais, eu aumento o peso do feto com restrição de crescimento?”



Aqui está o ponto crítico: na FGR por insuficiência placentária, “comer mais” geralmente não resolve.


  • A placenta é o “gargalo”: mesmo com mais calorias, a transferência de nutrientes/oxigênio pode continuar limitada.

  • As diretrizes de FGR enfatizam investigação etiológica, Doppler/US seriados e planejamento de vigilância/parto; não colocam ‘aumentar calorias’ como tratamento padrão para reverter FGR. 


    Onde “comer mais” pode ajudar:

  • Quando a gestante está ganhando peso abaixo do recomendado, com sinais de ingesta insuficiente, insegurança alimentar, hiperêmese importante, transtorno alimentar, dietas muito restritivas, etc. Aí sim, corrigir ingestão e qualidade nutricional pode melhorar o ambiente materno-fetal.




4) Então, o que orientar na prática (seguro e baseado em evidência)?



  1. Checar IMC pré-gestacional e a curva de ganho de peso e mirar as faixas recomendadas (IOM/ACOG).

  2. Em suspeita de FGR, priorizar:


    • Confirmar diagnóstico (percentis, tendência, líquido, Dopplers, fatores maternos)

    • Vigilância (US/Doppler conforme gravidade)

    • Rastrear causas e otimizar condições maternas (HAS, tabagismo, anemia, etc.)


  3. Nutrição: preferir “qualidade + adequação” em vez de “hipercalórico”:


    • proteína adequada, bons lipídios, carboidratos de melhor qualidade, micronutrientes (ferro, folato etc. conforme indicação)

    • Se houver DMG/hiperglicemia, “comer mais” (especialmente carboidrato) pode piorar e aumentar macrossomia; nesses casos, o alvo é controle glicêmico.


  4. Quando a questão é “ganho insuficiente por ingesta baixa”, faz sentido plano alimentar estruturado com nutricionista (e, em alguns contextos, suplementação balanceada).


 
 
 

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